BioCombustíveis
O Brasil possui uma matriz energética com significativa participação de energias renováveis, tendo acumulado importante experiência na produção de álcool como combustível. A ampliação dessa participação na matriz, a partir do desenvolvimento de biocombustíveis, propicia a oportunidade de executar políticas, de cunho social, ambiental e econômico, além de alinhar-se com ações de caráter estratégico no âmbito internacional.
No contexto dessas diretrizes, a agroenergia abrange quatro vertentes principais: álcool, biodiesel, florestas energéticas cultivadas e resíduos agroflorestais.
Álcool
O álcool etílico (etanol) já é um produto mundialmente consolidado para uso combustível, quer seja na mistura com a gasolina automotiva quer seja como combustível dedicado em motores de ignição por centelha. Por isso, é apontado como uma das opções mais viáveis como substituto da gasolina e para facilitar o processo de redução do uso de combustíveis de origem fóssil.
O Brasil é pioneiro no uso deste produto como combustível em veículos automotores, e nossa tradição estabelece duas formas para sua utilização: álcool etílico hidratado para uso como combustível usado em veículos projetados para seu uso e o álcool etílico anidro usado na mistura com a gasolina na proporção que pode variar entre 20 a 25%.
Esta aceitação universal está associada aos seguintes fatores:
- Natureza intrínseca do álcool como combustível
- Facilidade de operar a substituição da gasolina
- Sensíveis ganhos ambientais
Embora possa ser produzido através de diferentes fontes, no Brasil o álcool é predominantemente obtido a partir da cana de açúcar, em um processo que envolve as seguintes etapas:
- Moagem da cana
- Produção de melaço
- Fermentação
- Destilação
Biodiesel
O biodiesel é um combustível produzido a partir de óleos vegetais ou de gorduras animais. Dezenas de espécies vegetais presentes no Brasil podem ser usadas na produção do biodiesel, dentre elas destacam-se a soja, o dendê, o girassol, o babaçu, a mamona e o pinhão-manso.
O Brasil está entre os maiores produtores e consumidores de biodiesel do mundo, com uma produção anual, em 2008, de 1,2 bilhões de litros e uma capacidade instalada, em janeiro de 2009, de 3,7 bilhões de litros.
A venda de diesel BX – nome da mistura de óleo diesel derivado do petróleo e um percentual (4%, atualmente) de biodiesel – é obrigatória em todos os postos que revendem óleo diesel, sujeitos à fiscalização pela ANP. A adição de até 5% de biodiesel ao diesel de petróleo foi amplamente testada e os resultados demonstraram, até o momento, não haver a necessidade de qualquer ajuste ou alteração nos motores e veículos que utilizem essa mistura.
Para que o produto final obtido esteja em conformidade com a especificação, apresentando a pureza necessária, várias etapas são incluídas no processo:
- Preparação de matéria-prima
- Reação de transesterificação
- Separação de fases
- Recuperação do álcool e destilação da glicerina
- Recuperação do álcool e purificação dos ésteres
É bom notar que existem inter-relações entre esses segmentos, como o uso do etanol para a produção de biodiesel, a cogeração de energia elétrica com resíduos da produção de álcool, ou o aproveitamento de resíduos de biomassa florestal.
A projeção do potencial da agroenergia no Brasil, para os próximos 30 anos, vislumbra a possibilidade de produzir mais de 120 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep), anualmente, o que significa quase dobrar a oferta atual, estimada em 57 milhões de tep. Entretanto, a consecução de metas ambiciosas na agroenergia pressupõe investimentos ponderáveis em logística (transporte e armazenamento).
Fonte: Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
